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Matriz elétrica

Brasileiros rejeitam pagar mais por energia renovável, diz pesquisa

Energia eólica
Energia eólica, gerada a partir da força dos ventos, tem aumentado participação na matriz brasileira (Foto: Unsplash)

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Os brasileiros reconhecem a importância da transição para uma matriz elétrica mais limpa e renovável, mas não estão dispostos a arcar com os custos desse processo na conta de luz. É o que aponta uma pesquisa da Ipsos-Ipec, que entrevistou 2 mil pessoas em 129 municípios do país sobre a percepção da população brasileira acerca da transição energética.

De acordo com o levantamento, 93% dos entrevistados consideram importante ou muito importante que a energia elétrica no Brasil seja gerada a partir de fontes mais limpas e renováveis. Por outro lado, somente 19% responderam que estão muito dispostos a pagar mais caro para garantir que a energia seja gerada por fontes renováveis — 43% disseram que estão nada dispostos a arcar com essa conta.

A baixa disposição, segundo o estudo, está associada ao valor da conta de luz em relação à qualidade do serviço de fornecimento de energia elétrica. Nesse contexto, 71% consideram que o valor é alto ou muito alto — somente 5% afirmaram que a conta de luz é baixa ou muito baixa.

No ano passado, o custo da energia elétrica residencial acumulou alta de 12,31%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta foi superior à inflação oficial de 2025, que ficou em 4,26%.

“O consumidor, que já sente o peso da conta de luz no orçamento e sofre com a instabilidade do serviço, não se mostra disposto a arcar com custos adicionais, mesmo que seja por uma causa nobre. Isso sinaliza que qualquer política de transição energética precisa vir acompanhada de garantias de que não haverá um repasse de custos direto e pesado para o cidadão comum”, avalia a head da Ipsos-Ipec, Marcia Cavallari.

Não por acaso as faixas da população de renda mais baixa são as mais céticas em relação ao processo de transição e eventual aumento na conta de luz. No recorte de renda familiar de até um salário mínimo, apenas 16% estão muito dispostos a pagar mais, enquanto 47% estão nada dispostos a arcar com o aumento da conta.

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Matriz energética brasileira é predominantemente limpa e renovável

A transição para uma matriz elétrica renovável é um processo consolidado no Brasil, especialmente porque as usinas hidrelétricas são as principais fontes de geração há décadas — a usina de Itaipu, por exemplo, começou a operar em 1984. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a participação de fontes renováveis se mantém acima de 70% desde 2004 no país.

A matriz elétrica brasileira tem ficado ainda mais limpa, notadamente por causa do incremento da geração eólica e solar fotovoltaica ao sistema nos últimos anos.

De acordo com o último Balanço Energético Nacional (BEN) da EPE, relativo ao ano de 2024, as fontes renováveis representam 88% da oferta interna de eletricidade no Brasil. A fonte hídrica responde por mais da metade da matriz, como mostra o gráfico abaixo.

Matriz elétrica brasileira

A dependência das hidrelétricas já foi maior. Dez anos antes, em 2014, a fonte hídrica representava 65,2% da geração total. Naquele ano, a energia eólica tinha apenas 2% de participação — nesse período o crescimento desta fonte foi de 12,1 pontos percentuais. A solar sequer constava como uma fonte. No geral, a participação das fontes renováveis era de 74,6%.

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