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As discussões do governo de Donald Trump sobre a designação de duas facções criminosas do Brasil, PCC e CV, como terroristas ganham fôlego em meio a uma pressão crescente dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto, segundo informações do jornal The New York Times.
De acordo com a publicação, a segurança se tornou um dos principais temas em debate antes da corrida presidencial, na qual Flávio Bolsonaro, um dos filhos do ex-presidente, é pré-candidato. O jornal avalia que a decisão dos EUA pode contribuir para a campanha do representante de direita contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
Fontes dos EUA e Brasil que contribuíram com a reportagem disseram que a proposta do governo Trump tem gerado preocupação entre funcionários da gestão petista devido à possibilidade de influenciar o pleito de outubro.
Em nota após a divulgação da reportagem, Flávio disse que não defende intervenção estrangeira, mas é a favor de colaboração internacional para combater as facções.
"O Brasil perdeu um pedaço importante do seu território para facções narcoterroristas. Com o uso de equipamentos de guerra, bombas e drones, elas 'governam' milhões de brasileiros. E é o dinheiro do tráfico de drogas e a omissão do governo Lula que mantêm esse império do medo de pé. Eu não defendo que nenhum país estrangeiro venha resolver nossos problemas: as nossas questões nós resolvemos em casa. Mas sou totalmente favorável à colaboração internacional para eliminar de vez esses grupos narcoterroristas".
Trump classificou diversas facções como organizações terroristas na região
Nos últimos meses, a administração republicana classificou diversos grupos criminosos da região como organizações terroristas, por representarem uma ameaça direta à segurança aos EUA. Com a designação, a Casa Branca pode impor sanções financeiras a grupos ou pessoas associadas e planejar ações para proteger suas fronteiras.
Recentemente, a Casa Branca aprovou uma operação militar para captura do ditador Nicolás Maduro por acusações de narcotráfico e realizou diversos ataques no Caribe e Pacífico contra embarcações que transportavam drogas.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou no início do mês que o país avalia a classificação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como terroristas e sugeriu que o Brasil seguisse a mesma linha.
Apesar das conversas recentes sobre o tema com Washington, o governo Lula sinalizou que não tem a intenção de se alinhar com Trump nesse sentido.








