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O eleitorado húngaro decidiu neste domingo (12) encerrar os 16 anos de poder do primeiro-ministro Viktor Orbán e entregar o comando do país à oposição. Com mais de 53% dos votos e 138 das 199 cadeiras do Parlamento, o Tisza, partido de centro-direita liderado por Péter Magyar, um ex-aliado do próprio Orbán, conquistou uma ampla maioria necessária para governar e até reformar a Constituição, segundo os resultados com 97% dos votos apurados.
Magyar, de 45 anos, é filho de advogados e formado em direito. Ele construiu sua trajetória política dentro das estruturas de poder do Fidesz, o partido de Orbán, chegando a trabalhar como diplomata húngaro em Bruxelas. Ele também dirigiu o Centro de Empréstimos Estudantis da Hungria e ocupou cargos em empresas estatais e no Banco de Desenvolvimento do país.
Magyar foi casado com Judit Varga, que chegou a ser ministra da Justiça no governo Orbán. O casal se divorciou em março de 2023, segundo Magyar, em parte por divergências políticas. Varga, por sua vez, acusou o ex-marido de agressão física e verbal. Magyar nega as acusações, classificando-as como "propaganda" orquestrada pelo entorno de Orbán. O caso ainda não foi julgado.
Magyar se apresenta como um "conservador de centro-direita" - não como uma alternativa de esquerda a Orbán. Entre suas principais propostas estão o combate à corrupção sistemática no país, o fortalecimento da independência da mídia e do judiciário, maior transparência em licitações públicas e a limitação do mandato de primeiros-ministros a dois termos - medida que, caso seja levada adiante, impediria Orbán de concorrer novamente ao cargo.
Na política externa, Magyar promete reduzir a dependência energética da Hungria em relação à Rússia até 2035, realinhar o país com a União Europeia (UE) - que é criticada pelo governo Orbán, que é visto como um aliado da Rússia dentro do bloco - e adotar postura mais favorável à Ucrânia do que a de Orbán, embora mantenha a posição do governo atual de não enviar armas a Kiev, conforme declarou durante a campanha.
Partido vencedor ficou anos “congelado”
O partido de centro-direita Tisza - nome que vem de Tisztelet és Szabadság, "Respeito e Liberdade" em húngaro - foi fundado em 2020, mas ficou inativo até Magyar assumir seu controle, em 2024, após romper com a legenda de Orbán devido a um escândalo. Naquela ocasião, com apenas três meses de campanha, o partido estreou nas eleições para o Parlamento Europeu de junho de 2024 e obteve 29,6% dos votos, elegendo sete deputados. O desempenho foi considerado expressivo para uma legenda recém-reorganizada.
Nos meses seguintes, Magyar percorreu o país de ponta a ponta. Visitou 500 municípios durante a atual campanha parlamentar, chegando a cidades pequenas e vilarejos que historicamente eram redutos do Fidesz. Em maio do ano passado, ele chegou a caminhar 250 quilômetros de Budapeste até a cidade romena de Oradea para conquistar o apoio de minorias húngaras que vivem em países vizinhos e que costumavam votar em Orbán.
Orbán já reconheceu a derrota e parabenizou o adversário
O próprio Orbán reconheceu publicamente a derrota eleitoral neste domingo. "Para nós o resultado é doloroso, mas deixou claro que não nos foi outorgada a responsabilidade de governar", disse o ainda premier em pronunciamento a apoiadores em Budapeste. "Não nos rendemos! Nunca, jamais nos daremos por vencidos!", acrescentou.
Magyar, ao receber a notícia da vitória, disse ter ligado para Orbán e recebido seus cumprimentos. Em discurso, o próximo premiê disse que "a partir de hoje, este país vive de novo."
Líderes europeus celebraram o resultado deste domingo. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que "o coração da Europa bate com mais força na Hungria". O presidente francês, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, também parabenizaram Magyar.











