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Editorial

Lula só enganou quem quis ser enganado

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Gastança governamental já tinha sido defendida por Lula durante a campanha de 2022; quem acreditou que Lula seria responsável iludiu-se porque quis. (Foto: ChatGPT sobre foto de Ricardo Stuckert/Presidência da República)

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Em 2018, antes de ser condenado em segunda instância, tornando-se ficha-suja, e começar a cumprir a pena a que tinha sido condenado na Lava Jato, Lula falou sobre sua eventual candidatura à Presidência da República naquele ano. Entre outros temas, ele afirmara que a recessão e o desemprego podiam ser resolvidos somente com mais gastos do governo. Para uma mente despreparada em economia, a proposta poderia parecer boa, pois o Brasil é um país carente de tudo, principalmente de investimentos em infraestrutura física. Assim, parece normal acreditar que, se o governo aprovar um programa de obras e contratar empreiteiras, estas contratarão trabalhadores, o nível de emprego aumentará, o consumo dos trabalhadores crescerá e a indústria, o comércio e os serviços venderão mais, contratarão mais gente, pagarão mais impostos e a economia em geral crescerá.

Lula e o PT não são ingênuos; sempre apostaram na capacidade desse discurso em conquistar votos entre a grande massa da população. O fato é que em 2018 – quando o candidato do PT acabou sendo Fernando Haddad –, banqueiros e segmentos da elite empresarial e da grande mídia deram apoio ao PT, que foi derrotado. Passados quatro anos, na eleição presidencial de 2022, o apoio se repetiu; com o auxílio da atuação completamente enviesada da Justiça Eleitoral na campanha, o resultado foi a derrota de Jair Bolsonaro em sua tentativa de reeleição. Lula retornou ao Planalto com o mesmo velho discurso, acrescentando que um pouco mais de inflação não faz mal, um pouco mais de déficit é bom e que austeridade fiscal é coisa de neoliberal insensível aos problemas sociais.

Lula nunca prometeu austeridade fiscal na campanha de 2022, pelo contrário: defendeu o gasto público sempre que teve a chance

Lula foi eleito, inventou novos ministérios, criou cargos, inchou a máquina estatal, aumentou o gasto público, seguiu com seu discurso populista demagógico e aprofundou a prática de tentar dividir o país entre “nós e eles”, sempre raivoso e culpando os demais pelos problemas do país e do mundo. Como seria fácil prever, voltaram as fraudes, os desvios e outros tipos de corrupção, com o velho Lula repetindo seu mantra de que nunca sabia de nada. Nessa caminhada, Lula só não disse claramente a seus apoiadores e ao Brasil que seu governo e seu partido continuariam mergulhados até o pescoço em escândalos.

Passados três anos de seu governo marcado por déficit público, apoio a regimes ditatoriais sanguinários e acusações de corrupção, Lula vê sua popularidade cair ao mesmo tempo em que economistas e banqueiros que o apoiaram explicitamente se mostram indignados com os rumos do governo, refletidos em atitudes como as constantes tentativas de aumentar impostos e em indicadores como a disparada da dívida pública. Mesmo com todo esse histórico, Lula, ao que tudo indica, disputará o quarto mandato de presidente da República, certamente com o mesmo velho e batido discurso. Se novamente a população der seu voto a Lula, mantendo-o no comando do país, é fácil prever que ele seguirá amentando os gastos públicos, conforme sempre afirmou, ao lado do que o PT mais gosta: aumentar impostos, elevar a dívida pública e demonstrar pouca preocupação com a inflação e o baixo crescimento econômico.

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O fato é que Lula só enganou quem quis ser enganado. Ele nunca prometeu austeridade fiscal na campanha de 2022, pelo contrário: defendeu o gasto público sempre que teve a chance. Sua prática não tem desmentido o discurso, de forma que não há desculpa para quem hoje está indignado com o péssimo governo e a destruição da moral pública característicos dos governos do PT, depois de ter anunciado apoio em 2022, como fizeram, por exemplo, os economistas pais do Plano Real. Quem segue apoiando um governo e um partido com esse histórico ou é completamente ingênuo ou lucra com o caos. Como não é razoável acreditar em ingenuidade de banqueiros e empresários bem-sucedidos, nada mais lógico do que supor a segunda opção, ou seja, que muitos apoiadores se beneficiam do caos econômico e moral que atinge o país.

Uma questão que merece alerta diz respeito ao perigo de o Brasil entrar em uma fase na qual os impostos serão tão elevados que o resultado de longo prazo será jogar a economia em retrocesso e manter o país no atraso e na pobreza. A economia é a ciência da escassez e das restrições. Há limites para o aumento da carga tributária e o aumento do endividamento público. Quando ultrapassados os limites tecnicamente estabelecidos pela prudência financeira, a sociedade inteira paga, inclusive e sobretudo aqueles a quem o governo diz proteger: os pobres e os miseráveis.

Tomar medidas que parecem proteger os mais carentes no curto prazo, mas sempre acabam com graves efeitos colaterais em prejuízo daqueles a quem o governo diz defender, é uma forma de populismo e demagogia que, além de manter a população no atraso, impede que o país ingresse no grupo das nações desenvolvidas. Essa é uma realidade que parece cada vez mais entranhada na estrutura política, econômica e social do Brasil.

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