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Suposto racismo

MPF manda PF abrir inquérito contra deputada do PL por “blackface”

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP). (Foto: Reprodução / Youtube @sbtnews)

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"O Ministério Público Federal (MPF) instaurou investigação contra a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) por suposto crime de racismo. A apuração foca em ato ocorrido na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no dia 18 de março, quando a parlamentar pintou o rosto de preto, prática conhecida como "blackface'"

A deputada descreveu a ação como um 'experimento social' em protesto contra a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a Comissão das Mulheres. Fabiana questionou a presença de uma mulher trans no colegiado, afirmando que a transição de gênero não conferiria à parlamentar a "vivência ou as dores históricas de uma mulher."

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“Eu, sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que eu vivi como uma pessoa branca, agora, aos 32 anos, decidi me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. Eu virei negra?”, questionou ela, do púlpito do plenário da Alesp.

O caso foi remetido na época ao MPF por integrantes da Bancada Feminista do PSOL, que apontaram os possíveis crimes de “racismo” e também de “transfobia”, ambos enquadrados como inafiançáveis pelos mais recentes entendimentos.

O MPF determinou que o caso deve ser remetido à Procuradoria Regional da República da 3ª Região, uma unidade do MPF que atua em procedimentos e investigações por crimes federais, que envolvem agentes que têm prerrogativa de foro no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3).

A decisão, assinada na sexta-feira (27), determina a instauração de inquérito policial na Polícia Federal e sinaliza a necessidade de aprofundar a investigação sobre a conduta da parlamentar.

Além da ação penal, um grupo de deputados estaduais de São Paulo entrou com um processo no Conselho de Ética da Alesp pedindo a cassação da deputada. Erika Hilton preside a Comissão da Mulher desde o dia 11 de março. No dia da votação, foram necessários dois turnos para que a parlamentar conseguisse alcançar a maioria absoluta exigida para assumir o cargo.  

A prática de blackface é considerada um gesto racista porque estigmatiza negros para o entretenimento de brancos desde pouco depois da época em que a escravidão foi abolida em todo o mundo. Fabiana se defendeu nas redes sociais dizendo que não cometeu o ato de blackface.

“A analogia foi clara, só não entendeu quem não quis! Assim como eu não me torno negra só porque pintei a pele, ninguém que não nasceu mulher pode representar com legitimidade as dores biológicas, psicológicas e históricas que só as mulheres biológicas conhecem”, disse.

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