Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Protesto

Indígenas protestam contra projetos privados próximos a territórios demarcados

Protesto de indígenas
Projetos de mineração e ferrovias entraram na mira dos indígenas por cortar ou estarem próximos de áreas indígenas. (Foto: André Borges/EFE)

Ouça este conteúdo

Indígenas de diversas etnias e regiões do país iniciaram protestos em Brasília, nesta segunda-feira (6), contra projetos privados próximos a territórios demarcados. A mobilização, chamada de “Acampamento Terra Livre”, é realizada anualmente e critica iniciativas que, segundo lideranças, avançam sobre áreas sensíveis e ampliam riscos ambientais e sociais.

Entre os principais alvos está o projeto da mineradora canadense Belo Sun, que pretende explorar ouro na região da Volta Grande do Xingu, no Pará. O empreendimento é apontado como potencialmente o maior do tipo no país, mas enfrenta resistência de comunidades locais que questionam o processo de consulta e os impactos previstos.

“Já tem dez anos que a gente luta pelo reconhecimento da comunidade Marapanim e a Funai faz pouco caso”, disse Taiani Xypai, uma das lideranças do movimento, ao apontar falhas no mapeamento de grupos na região.

Lideranças indígenas afirmam que o diálogo conduzido pela empresa não respeitou exigências da convenção 169 da OIT, que trata da consulta prévia a povos tradicionais.

VEJA TAMBÉM:

A crítica também envolve a exclusão de comunidades que estariam fora do raio de 10 quilômetros de distância do projeto, mas que alegam impacto indireto da atividade. Um relatório do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) indica que ao menos dez comunidades não foram consideradas no processo de licenciamento, mesmo após solicitarem participação formal.

Em resposta, a Belo Sun sustenta que o empreendimento “segue os ritos legais aplicáveis, no âmbito do processo de licenciamento ambiental”, enquanto o presidente da empresa, Adriano Espeschit, afirma que houve aprovação de etnias dentro da área considerada direta.

“Foi um processo acompanhado e validado pelas autoridades em diversos momentos”, declarou em comunicado à Folha de S. Paulo.

VEJA TAMBÉM:

Projetos do governo na mira

Além dos projetos privados, aqueles ligados ao governo também entraram na mira dos indígenas, como o da Ferrogrão, ferrovia federal planejada para ligar os estados do Mato Grosso e o Pará, cortando áreas da Amazônia. Lideranças indígenas associam a obra a interesses logísticos e empresariais, com impactos relevantes no rio Tapajós e possíveis intervenções ambientais.

“O Tapajós já mostrou a sua força por mais de um mês, ocupando a Cargill, para derrubar o decreto 12.600, que ia privatizar o nosso rio”, disse Alessandra Munduruku, uma das lideranças da etnia em referência à mobilização na multinacional.

A implantação da Ferrogrão terá o processo retomado nesta semana pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O projeto da ferrovia tem cerca de 933 quilômetros de extensão e ligará o município de Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), criando um corredor estratégico para o escoamento de grãos pela região amazônica.

A proposta surgiu diante da expansão do agronegócio no Centro-Oeste e da necessidade de uma alternativa logística mais eficiente, já que grande parte da produção ainda depende de longas rotas rodoviárias.

Defensores do projeto afirmam que a ferrovia pode reduzir significativamente os custos de transporte e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro, além de desafogar rodovias como a BR-163 e ampliar a capacidade de exportação pelo chamado Arco Norte.

Estudos indicam que o modal ferroviário pode baratear o frete em até 40% e permitir o transporte de grandes volumes de commodities como soja e milho, além de gerar empregos e impulsionar a economia regional, embora o projeto também enfrente críticas relacionadas a impactos ambientais, sociais e desafios de viabilidade financeira.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.