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A expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho, da Polícia Federal, que estava a serviço nos Estados Unidos, no começo desta semana, ocorreu após uma intensificação dos ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao seu homólogo Donald Trump nas últimas semanas.
As críticas do petista ao líder norte-americano haviam diminuído após a conversa que tiveram por telefone em janeiro e que levou a um convite para uma visita oficial a Washigton que deveria ter ocorrido em março, mas que foi adiada por causa da guerra no Oriente Médio.
Lula e Trump estavam em trégua desde o ano passado, quando uma aproximação começou a ser feita após se encontrarem na 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. No entanto, decisões recentes do líder dos Estados Unidos passaram a ser fortemente criticadas pelo petista, que adotou um discurso de que ele estaria tentando ser um “imperador do mundo”.
Na mais recente, durante a visita que está fazendo à Alemanha, Lula afirmou que Trump “não foi eleito imperador do mundo” e que “acha que, por e-mail ou por Twitter, pode taxar produtos, pode punir países, e pode fazer guerra”.
Em outro episódio recente, após uma crise entre Trump e o papa Leão XIV, Lula reforçou o ataque a Trump afirmando que ele faz um jogo de narrativas para tentar parecer à população dos Estados Unidos que seu país é “onipotente, daquele povo superior”.
“Isso não é pelo autoritarismo do presidente. Isso é pela conjuntura econômica, pela importância do país, pelo grau de universidade que eles têm. Então, o Trump não precisava ficar ameaçando o mundo”, disparou em uma entrevista ao Brasil 247, Revista Fórum e DCM na semana passada.
Na mesma fala, Lula emendou que as “ameaças do Trump não fazem bem para a democracia. Essa guerra do Irã é inconsequente”.
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Ainda sobre a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, Lula afirmou que Trump “não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país”, em uma entrevista ao jornal espanhol El País, na semana passada.
“Ele não foi eleito para isso, e a Constituição dele não permite. [...] Ninguém tem o direito de assustar os outros", acrescentou Lula. "É essencial que os poderosos assumam maior responsabilidade pela manutenção da paz”, completou.
Em outro momento recente, Lula também criticou Trump pelo frequente uso das redes sociais para passar recados sobre seus próximos passos, afirmando que ele quer “governar o mundo” pelas plataformas digitais. Esse é outro ataque que se tornou comum em seus discursos.
“Já perceberam que o Trump quer governar o mundo pelo Twitter? Fantástico, todo dia fala uma coisa. E você acha que é possível a gente tratar o povo com respeito se não olhar no rosto? Achar que é objeto e não um ser humano”, questionou.
Havia a expectativa de que Lula viajaria a Washington ainda neste mês de abril, mas as tratativas com os Estados Unidos foram parcialmente suspensas por causa do conflito no Oriente Médio. Ainda não há uma nova data prevista para o encontro com Trump.












