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STF se supera em mais uma condenação absurda do 8 de janeiro

Quando se imaginava que a fábrica de absurdos em que se transformaram os julgamentos do 8 de janeiro já tinha produzido tudo o que de pior se possa imaginar, eis que a Primeira Turma do STF se supera. E tudo por um pix de R$ 500.

Dessa vez, os ministros condenaram por golpe de Estado, associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito – condenaram pelo pacote completo – um idoso de 71 anos, cujo único "crime" foi fazer um pix de R$ 500 para apoiar manifestantes que iam a Brasília protestar contra o governo Lula. Por causa desse apoio a uma manifestação política, Alcides Hahn, morador de Blumenau (SC), foi condenado a 14 anos de prisão em regime fechado. Foram 4 votos a zero na Primeira Turma, com a ressalva de Cristiano Zanin, que achou a pena um pouco dura demais.

Seu Alcides não viajou junto com vizinhos e conhecidos que foram a Brasília. Ficou em casa. Dos 41 passageiros do ônibus, apenas um chegou a entrar na praça dos Três poderes no dia 8 de janeiro de 2023. A Procuradoria-Geral da República não conseguiu provar, ou nem tentou provar, que esse único passageiro quebrou ou vandalizou qualquer coisa.

Pix de R$ 500 não pode, contrato suspeito de R$ 129 milhões pode

Mesmo assim, Alcides Hahn foi condenado a 14 anos de cadeia. Com base no conceito de “crime multitudinário”, um arreganho jurídico que dispensa a necessidade de provar o que cada pessoa efetivamente fez. Basta a ligação com o grupo, basta uma contribuição, por mais tênue e insignificante que seja.

Moraes, do alto do Olimpo, lançou um raio fulminante contra seu Alcides. Disse que ele aderiu “subjetivamente à empreitada criminosa”. Pronto, se Moraes disse, está dito. Cumpra-se. E os outros ministros da Primeira Turma assinaram embaixo.

Como sublinhou editorial da Gazeta do Povo, a história toda lembra o filme de ficção científica, Minority Report. Nele, as pessoas são presas antes de cometer crimes: são condenadas pela intenção, pela cogitação em seus pensamentos, não pelo ato. No caso de seu Alcides, é pior ainda. Alguém que nem participou de nenhuma confusão é condenado pela intenção presumida de terceiros.

Esse pix "são outros 500"

O editorial da Gazeta do Povo mostra que os 500 doados por seu Alcides representam 1,25% do custo de um voo em jatinho particular; ou 0,097% do preço da garrafa mais cara de uísque Macallan, servida à vontade por Daniel Vorcaro a alguns ministros do STF; ou 0,002% da evolução patrimonial de certo ministro do Supremo Tribunal Federal desde que ele assumiu sua cadeira; ou 0,00039% do montante total de um certo contrato entre um banco e um escritório de advocacia que, coincidência ou não, é tocado pela esposa desse mesmo ministro.

Para Moraes, contudo, esses são outros 500.

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